10 Mulheres inspiradoras do cenário brasileiro de jogos para tu conheceres
- Ingrid Mendes
- há 4 dias
- 14 min de leitura
Atualizado: há 3 dias
Atualizando o "Cantinho da BELJOGOS", trago referências femininas que fazem joguinhos brasileiros gostosos demais.

Março é considerado o mês das Mulheres, devido ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. A data foi oficializada pelas Nações Unidas em 1975 para comemorar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, além de servir como um momento de protesto e reflexão contra a desigualdade de gênero, a violência e a busca por direitos iguais. Este ano, em especial, o período foi marcado por notícias recorrentes sobre o combate ao feminicídio. O Brasil registrou o maior número de casos dos últimos 10 anos, segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e tu podes saber mais detalhes neste texto da CNN. Nesse cenário de contrastes, onde celebramos conquistas enquanto combatemos violências, a presença feminina na tecnologia e nos jogos torna-se um ato de resistência e ocupação de espaço.
Vale ressaltar que, nas áreas das STEMs (a sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), o trabalho tem sido árduo ao longo dos últimos anos para melhorar esses números e ampliar a participação de mulheres. Um projeto que gosto de mencionar é o Emíli@s – Armação em Bits, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Campus Curitiba. Além de realizar ações para aumentar a representatividade das mulheres na área da Computação, despertando o interesse de futuras estudantes e mantendo a motivação daquelas já inseridas nos cursos de Engenharia de Computação e Sistemas de Informação, possui um podcast com 6 anos de atividade que recomendo muito que tu escutes.
Já na indústria de jogos digitais, especificamente no Brasil, mais da metade dos jogadores são mulheres, mas elas ainda enfrentam diversos desafios tanto nas comunidades quanto na indústria. Um estudo de Feitosa, Aquino e Sa (2025), publicado no maior e mais antigo simpósio acadêmico do segmento da América Latina sobre o tema (SBGames), concluiu que, em geral, as mulheres são maioria entre os jogadores, mas não são bem representadas na indústria, além de serem minoria nos cargos de desenvolvimento de jogos digitais.
Como aqui no Controles Voadores, onde os Joguinhos Brasileiros são Gostosos Demais, o nosso foco são as produções digitais lúdicas, venho neste texto destacar algumas mulheres do cenário nacional que fazem um trabalho singular para cravar seu nome na história do segmento. E assim atuam também como fonte de inspiração e referência para muitas outras jovens leitoras aqui, além de mim, que vos escrevo. Então vamos lá com a nossa lista de mulheres empoderadas, pra ti aumentares teu repertório. Vale ressaltar que a ordem aqui é meramente sequencial, sem o objetivo de ser um ranking de popularidade.
Thais Weiller (Joymasher)

Designer paranaense de jogos, atualmente doutoranda em Game Studies pela Universidade de Tampere e professora de Game Design na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). É Mestre em Ciências da Comunicação na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) onde estudou a relação entre o jogador e o game design (2012). Possui graduação em Jornalismo e Design de Moda pelo Centro Universitário de Maringá (2008). Também é produtora, fundadora e co-criadora da JoyMasher, um estúdio de jogos independente e vanguardista no cenário gamedevBR, que se encontra em plena atividade, com quatro jogos no currículo: Vengeful Guardian Moonrider (2023), Blazing Chrome (2019), Odallus The Dark Call (2015) e Oniken (2014).
Ela passou aqui pelo CV no episódio #36 - Vengeful Guardian Moonrider: um cyber ninja lutando contra o fascismo, juntamente com seu parceiro Danilo Dias, compartilhando detalhes de produção do mais recente título do estúdio. E uma dica extra: se tu te cadastrares na lista de email do site pessoal dela, ganharás uns prêmios secretos que ela já contou o que são em participações em outros podcasts por aí nas redes. =) #ficadica
Ana Ribeiro (Série Pixel Ripped)

A designer maranhense de jogos, Mestre em Games Design & Development, Computer Games and Programming Skills pela National Film and Television School (2014), com graduação em Games Programming, Computer Games and Programming Skills pela SAE University (2011) e Bacharel em Psicologia pela UNICEUMA (2005), construiu um caminho singular até entrar no mercado mundial de jogos. Já foi funcionária pública concursada pelo Tribunal de Justiça, e também microempresária no setor de alimentos, onde chegou a vender 4 mil salgadinhos por mês, no auge desta etapa.
Quando mergulhou de cabeça pelo mundo dos games, largou tudo para estudar criação de jogos no exterior em 2010, onde compartilha alguns detalhes nesta entrevista do site Arkade.com.br, falando sobre sua carreira como diretora criativa da série de jogos Pixel Ripped, sendo uma das pioneiras no desenvolvimento para Realidade Virtual no Brasil. Também tem o episódio #61 - Programadoras da ARVORE: Ana Ribeiro, Alessandra Fernandes e Gabriela Matias, no Emílias Podcast, juntamente com 2 colegas que trabalharam com ela na produção do Pixel Ripped pela empresa ARVORE, que vale a pena tu conferires.
Vale mencionar que as 2 (Thais + Ana) estiveram presentes numa palestra da Game Developers Conference (GDC), intitulada “A Decade Unveiled: The Brazilian Indie Game Scene's Transformative Journey”, que traz uma retrospectiva do cenário nacional de jogos independentes. Ativa aí a legenda automática, que vale muito a conferida. =)
Flávia Gasi (Forja)

A paulistana com Doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2016), Mestrado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2012) e Bacharelado em Comunicação Social – Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2007), possui 25 anos de experiência em narrativa nos mercados de games, quadrinhos e livros. Seu trabalho acadêmico se debruça sobre narrativa de videogames e desradicalização de extrema-direita de comunidades games.
Flávia também escreveu sobre games, traduziu obras, e tem games, livros e HQs publicadas. Entre seus trabalhos de videogame estão um RPG criado para a Blizzard, jogos criados para publicidade, jogos políticos como o "Cidadão de SP Simulator", entre outros. Foi premiada duas vezes pelo troféu Ângelo Agostini por Melhor Publicação Independente de Grupo e Melhor HQ, e indicada ao francês Angouleme. Ganhou duas premiações HQ Mix. Seu primeiro livro, Videogames e Mitologia, ganhou tradução para o inglês. Atualmente é diretora de narrativa, professora doutora de narrativa, escritora e produtora de conteúdo. Participa do coletivo Firmagamedev e é palestrante TEDx. É militante do PCBR (partido comunista brasileiro revolucionário) onde ajuda a organizar a classe trabalhadora de games. Também no portfólio possui uma história em quadrinhos intitulada “Crônicas de Minas Gamedevs”, publicada em 2020 com a parceria de Kaol Porfírio. Cada texto narra um dia na vida de cada uma das personagens, e relata os sentimentos de fazer games no mercado nacional. Para tal, os contos originais foram criados a partir de relatos reais de mulheres desenvolvedoras de jogos. Em seu site pessoal é possível conferir várias participações e contribuições em vídeo, realizados ao longo dos anos.
E no episódio #79 do Controles Voadores, ela apresenta o jogo Cidadão de SP Simulator, que traz uma abordagem jornalística e com política, um trabalho conjunto com o Fernando Henrique, sua dupla no projeto. Em 2024 lançaram o Volume 1, e em 2025 saiu o Volume 2. Experimente as 2 versões clicando aqui.
Tainá Felix (Game e Arte)

A paulistana Pós-graduada em Gestão Cultural pelo SENAC-SP (2018), Bacharel em Teatro pelo curso de Comunicação das Artes do Corpo pela Pontifícia Universidade Católica- SP (2011). É atriz formada pelo Teatro Escola Macunaíma (2007). Como diretora da ONG Jogos pela Educação, ministrou aulas com games em diversas instituições, além de intervenções e oficinas no SESC -SP, bem como palestras na Campus Party e SBGames (2013). Atualmente é sócia da empresa Game e Arte, na qual desenvolve pesquisa e trabalhos acerca da produção de conhecimento através dos jogos digitais, alinhada à perspectiva do pensamento decolonial e da representatividade negra nos games. Atualmente é anfitriã do canal do Youtube da Dell Technologies no Brasil.
É também Produtora e roteirista dos jogos "A Nova Califórnia", "AMORA" e da trilogia de Afro Games Sankofa Arcade. Ela esteve aqui no CV no episódio #06 - A produção de conhecimento através dos videogames, RPGs e Lima Barreto. Os jogos estão disponíveis na Steam e na Itch.io para compra e experimentação.
Tiani Pixel e Fernanda Dias (Estúdio Pixel Punk)

Unsighted (2021) é um jogo indie com jogabilidade refinada ao longo de cinco anos de desenvolvimento, combina trilha sonora, arte, sistemas e narrativa de forma coesa e envolvente. A história se passa em um mundo em colapso causado pela exploração excessiva de recursos naturais. O enredo traz críticas ao capitalismo e suas consequências ambientais. As protagonistas são autômatos com identidades diversas, incluindo representações LGBTQ+. Trata-se do primeiro título comercial da dupla.
E falando delas, as desenvolvedoras paulistanas Tiani Pixel e Fernanda Dias são as mentes criativas por trás do estúdio Pixel Punk, que transpuseram suas vivências pessoais para o projeto. Isso resultou em personagens profundos e carismáticos. O jogo apresenta decisões difíceis sobre quem sobreviverá ou se tornará um “Unsighted”, que são autômatos que perdem o controle ao ficar sem energia vital. A protagonista Alma enfrenta esse risco constantemente. Ela precisa coletar “anima”, recurso essencial para manter a consciência dos androides. A narrativa inclui um romance lésbico entre Alma e sua amante perdida. A jornada mistura ficção científica com temas emocionais e sociais.
O jogo aborda diversidade, identidade e empatia. Também oferece modos de acessibilidade para ampliar o público. As criadoras fundaram o estúdio para conquistar espaço na indústria, que também surgiu como resposta à falta de oportunidades para mulheres nos games. Hoje, o jogo é um sucesso de público e crítica. As desenvolvedoras são exemplos de resistência e inovação. Seu trabalho valoriza a arte autoral em contraste com produções massificadas.
Atualmente estão desenvolvendo o novo título, ABYSS X ZERO. Confiram mais detalhes neste vídeo com a visão geral de como os cenários e assets são feitos, misturando técnicas de low poly e pixel art, e que foi compartilhado gratuitamente com a finalidade de ser uma crítica ao evento Gamescom LATAM - edição 2025, por sua falta de remuneração e ajuda de custos para quem apresenta no evento.
Michelle Santos (Ritus Studio)

Esta artista do cerrado brasileiro é produtora e criadora de jogos. Desde 2013 trabalha no desenvolvimento de arte para jogos, séries e filmes animados. Formada em Design Gráfico pela Universidade Federal de Goiás, foi co-fundadora da Funbites Game Studio, empresa de jogos independentes pioneira em Goiânia. Nesta 1ª jornada empresarial, teve quatro jogos vencedores no Concurso Sebrae de Desenvolvimento de Jogos Empreendedores, lançou os jogos mobile Starving Dead e Pizza Mania - Cheese Moon Chase. Confere aqui a live da BELJOGOS que ela mostra parte deles.
Também desenvolveram o jogo mobile Wish us luck, produzido pela Black Moluska, no qual trabalhou como game designer, co-roteirista e artista 2D. O jogo foi vencedor na categoria “Melhor jogo Mobile” no BIG Festival Brazil 2022. Foi artista conceitual e artista de cenário em produções da Mandra Filmes, Província Studios, TV Pinguim, Macaco Hábil e Caolha Filmes. Já ministrou cursos, palestras e promoveu ações e eventos para estimular o desenvolvimento da área de jogos em Goiás. Vale mencionar que Michelle é embaixadora local do Women in Games, uma ONG mundial que promove uma rede colaborativa mundial de pessoas engajadas em apoiar, capacitar e celebrar mulheres talentosas na indústria de jogos e esportes eletrônicos.
Mais recentemente em sua cronologia profissional, fundou o estúdio Ritus, focado em desenvolvimento audiovisual e de jogos, através do qual está desenvolvendo, dentre outros projetos, o jogo Neve, que foi finalista em “Melhor Storytelling” no SBGames 2022, selecionado para a mostra “Panorama Brasil” no BIG Festival 2023 e finalista no A.Maze Festival/Berlin 2024. Já esteve aqui no CV por 2 vezes, no episódio #26 - Neve: claustrofobia, naves quebradas e alguns erros em 2022, e no episódio #99 – Neve: narrativas, rituais, simbologias e comunidades em 2025 – juntamente com Wadson Alvim.
Amora Bettany (Artista independente)

A artista paulistana, designer e produtora cujo percurso profissional personifica a evolução da cena independente nacional. Amora B construiu uma trajetória que interliga a disciplina técnica da animação tradicional, a efervescência da cultura dos quadrinhos e uma visão aguçada sobre a responsabilidade social do design interativo. Sua contribuição para obras fundamentais como Celeste e TowerFall não apenas estabeleceu novos padrões estéticos para a arte em baixa resolução, mas também ajudou a consolidar o Brasil como um polo de excelência em narrativa e mecânica de jogo.
Em 2010, junto de Pedro Medeiros e Heidy Motta, criaram o estúdio Miniboss, que desenvolveu o jogo Out There Somewhere (2012), dentre outros títulos. Na sequência começaram uma parceria com a desenvolvedora canadense Maddy Make Games, e participaram da criação de TowerFall (2013) para o console de financiamento coletivo Ouya. A parceria seguiu e produziram o premiadíssimo Celeste (2018), disponível em todas as plataformas. Ela também fez contribuições para os jogos WanderStop e Rainy Day. Este último tem um artigo publicado no SBGames (2017), sobre depressão e ansiedade. O podcast Papo Lemonade tem uma entrevista com ela que vale a escutada.
Lavie Azure (Team Seventh Star)

Em 2019, a paraense Lavie Murchio iniciou sua jornada técnica no curso especializado de Game Design na Lisbon School of Design (LSD), em Portugal. Este período foi fundamental para a definição de sua identidade como desenvolvedora, permitindo o contato direto com metodologias de design europeias que privilegiam a clareza sistêmica e a integração entre estética e mecânica. Em seus estudos na terra lusitana, ela consolidou o uso do motor Unity como sua ferramenta de preferência, adotando o Visual Scripting como ponte para a implementação lógica de seus conceitos. Em vez de se prender exclusivamente à sintaxe de codificação tradicional, essa abordagem permitiu que ela focasse na interatividade e no "game feel", características que definem a fluidez de seus títulos posteriores. Ao retornar ao Brasil, dando continuidade em sua formação pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), no curso de Design de Jogos e Entretenimento Digital, proporcionou um refinamento teórico necessário para a escalabilidade de seus projetos.
A ideia para criar o jogo CODE Bunny surgiu com Azure (sua assinatura artística), fundadora do estúdio Seventh Star, após se reunir com pessoas distribuídas pelo mundo em um servidor do Discord, onde encontrou os parceiros para o projeto, segundo entrevista cedida a Agência Collab durante a Gamecon Acre 2024. Fruto de uma competição na SAGE 2021, o jogo de plataforma, com visual em pixel art, foi concebido para explorar temas progressistas, desafiando a noção de que este gênero se limita a ação ininterrupta e pode, sim, entregar narrativas elaboradas.
Inspirado principalmente em títulos como Megaman, Sonic e GunVolt, CODE Bunny é uma aventura futurista que combina elementos de plataforma com artes marciais. Os jogadores controlam Axel e Hazel, os dois protagonistas jogáveis, com o objetivo de resgatar a cidade de Lumna da ameaça conhecida como "Mad Bunny". Lançado inicialmente na plataforma Itch.io em 2023, passou um ano capitalizando para ser lançado na loja Steam no ano seguinte.
Atuando como designer de jogos, compositora, programadora e escritora, Lavie representa a síntese do desenvolvedor "multipotencial" que domina as diversas camadas da produção digital. Por aqui, no CV, temos o episódio #82 - Code Bunny: correndo com coelhos espaciais, onde tu podes conhecer melhor o jogo e a sua direção criativa no projeto. E vale a menção que o jogo saiu numa edição da famosa revista japonesa Famitsu do ano passado, confira aqui o registro.
Lynn Rosalina Gama Alves (Comunidades Virtuais)

Não posso deixar de mencionar a lenda baiana Lynn Alves. A primeira vez que li sobre ela foi por meio do seu livro “Game Over - Jogos e Violência” (2005), fruto de sua tese de Doutorado em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Vindo da pedagogia como base curricular, seu perfil mostra como a área de jogos é interdisciplinar e abrangente. Lynn também possui um percurso internacional que inclui pós-doutorado recente na Universidade de Barcelona (2024–2025), investigando crianças, adolescentes, jogos digitais e proteção de dados. Também realizou estágios pós-doutorais na Universidade de Turim (2008), na área de jogos eletrônicos e aprendizagem, e na Faculdade de Comunicação da UFBA (2018–2019), com foco em jogos e narrativas seriadas.
Atua como docente e pesquisadora no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA, além de integrar o Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História da Ciência e coordenar a Rede de Pesquisa Comunidades Virtuais. Suas investigações concentram-se nas plataformas digitais e suas performatividades algorítmicas, com ênfase em jogos digitais, aprendizagem, proteção de dados de crianças e adolescentes, plataformização da educação e Learning Analytics. Neste breve documentário, ela relata parte de sua trajetória.
Ao longo da carreira, coordenou diversos projetos de pesquisa e desenvolvimento em jogos digitais, como Tríade, Búzios: ecos da liberdade, Guardiões da Floresta e 2 de Julho Levante dos Invisíveis (que foi finalista no Festival de Jogos Digitais do SBGames 2025) entre outros, financiados por instituições como FINEP, FAPESB, CAPES e SEC-BA. Também organiza, há mais de 15 anos, o Seminário de Jogos Eletrônicos, Educação e Comunicação (SJEEC), consolidando sua atuação como referência na área no Brasil.
Atualmente está à frente do podcast Mulheres + Ciências +, que vincula-se ao Projeto Educiência realizado pelo IHAC/UFBA em parceria com a Academia de Ciências da Bahia, e tem o objetivo de escutar professoras e pesquisadoras da UFBA e da Rede Estadual de Ensino, que vem fazendo a diferença no campo da Educação e Ensino das Ciências. Vale mencionar que as produções do grupo de pesquisa Comunidades Virtuais, inclusive a série de documentários Ciência, Tecnologia e Cultura, dentre outros, encontram-se disponíveis aqui e no Canal do Youtube.
Hélia Vannucchi (Arena Lúdica)

A Designer de jogos de tabuleiro, Hélia Vannucchi, vem construindo ao longo de mais de duas décadas, uma trajetória sólida que conecta criação lúdica, pesquisa acadêmica e atuação docente. Finalista do SBGames 2022 com o jogo analógico "Amota", repetiu o feito em 2023 com o título "P do Quê?". Já em 2024 foi a vez do fofíssimo "Virou Gato", criado por 3 estudantes, todas mulheres, numa disciplina da graduação. E novamente em 2025 foi a vez do compacto "Cuinhambane" marcar presença no evento acadêmico. Além de ser uma das criadoras da plataforma Tabuleiros do Brasil, onde consta parte do seu portfólio de criações, como o título "Constelar", que esteve presente na Área de Protótipos do Doff (Diversão Off-line), em 2023. Esta constância de produção da pesquisadora consolida sua atuação tanto no cenário independente quanto no acadêmico.
Residente em Cuiabá desde 2011, Hélia é formada em Publicidade e Propaganda, possui mestrado em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas e doutorado em Artes pela Universidade de São Paulo. Atualmente, atua como professora no curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Sua carreira como designer de jogos começou no início dos anos 2000, com o lançamento de "Branca de Neve e os 7 Anões – O Reino Encantado" (2001), publicado pela Toyster. No ano seguinte, lançou "No Reino Encantado das Princesas" (2002), também pela mesma editora. Ambos os títulos foram desenvolvidos em parceria com Heloísa Coelho e direcionados ao público infantil a partir de seis anos.
Entre 2002 e 2005, Vannucchi integrou a equipe da GMK, período em que participou da criação de cerca de 60 jogos, dos quais seis foram publicados. Entre os títulos lançados estão "Combate" (2002), posteriormente associado à Nig Brinquedos, "Procurando Hamtaro" (2002), "Sítio do Picapau Amarelo: No Reino das Águas Claras" (2003) e "Supermodel" (2004), todos publicados pela Toyster. Em 2005, o título "Four" foi lançado exclusivamente na Alemanha. Já "Siege" (2010), desenvolvido originalmente para a GMK, foi publicado pela Mitra.
Após um período focado na carreira acadêmica, a designer retomou sua produção autoral em 2021, com o projeto de pesquisa “Jogos de tabuleiro e gamificação: poéticas da criação no campo comunicacional”. A iniciativa também deu origem ao projeto de pesquisa e extensão intitulado Arena Lúdica, utilizado para divulgar suas criações e dialogar com o público. Ao articular prática criativa e investigação acadêmica, Hélia se destaca como uma das vozes relevantes na produção e reflexão sobre jogos de tabuleiro no Brasil contemporâneo.
Se quiseres ver os jogos em detalhe, confere aqui neste papo massa que ela teve com a galera da BELJOGOS. Ainda SBGames 2025 que aconteceu em Salvador/BA, ela foi homenageada com o prêmio de Melhor Educadora na 1ª edição do Festival de Jogos de Tabuleiro. Inclusive a lista completa de jogos finalistas do festival, saiu por aqui no Controles Voadores.
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Esta lista é composta de mulheres notáveis no cenário de criação e desenvolvimento de jogos no Brasil. Todas elas me inspiraram como referências para buscar atuar neste mercado. Acredito que elas também podem te inspirar de alguma forma também. E qual é a tua lista de mulheres brasileiras inspiradoras no cenário gamedev BR? Me diz aí nos comentários, que eu gostaria de saber.
Te agradeço por leres até aqui. Para mais informações sobre os jogos desenvolvidos no estado do Pará, e também em toda a região Norte, acompanhe BELJOGOS em todas as redes sociais.
Até um próximo artigo aqui no site do Controles Voadores. =)
