Por quĂȘ o meu Player joga?
- Livia Scienza
- 14 de mar.
- 4 min de leitura
Enquanto Game Designer, vocĂȘ sabe por quais motivos o seu pĂșblico-alvo joga? Entenda como a Psicologia e o UX Research pode te ajudar nessa empreitada!
Fala, caro leitor! Se vocĂȘ ainda nĂŁo me conhece, meu nome Ă© Livia Scienza e esse Ă© minha primeira publicação aqui no ControlĂŁo! Dentre as vĂĄrias coisas aleatĂłrias que eu faço, sou psicĂłloga e estudo UX Research voltados para os games faz bastante tempo. Queria compartilhar com vocĂȘ uma palhinha do que tenho aprendido, o que acha? Topa? Ah entĂŁo bora lĂĄ!
Se vocĂȘ Ă© um game designer, pesquisador de game studies, game dev, artista de jogos ou apenas um aficionado pelo tema, jĂĄ deve ter se perguntado por qual motivo as pessoas bem... jogam. E como toda pesquisadora e psicĂłloga eu gostaria de dar uma resposta definitiva! A resposta definitiva Ă©: depende.
Pronto, obrigada por ler atĂ© aqui. Mentira, mentira! A questĂŁo Ă© que podemos responder essa pergunta de formas muito, mas muito diferentes. NĂłs poderĂamos analisar como os jogos ativam os neurotransmissores do cĂ©rebro. PoderĂamos fazer uma anĂĄlise cultural (AlĂŽ Huizinga!) e atĂ© mesmo evolutiva do comportamento de jogar. Mas aqui gostaria de destrinchar alguns tĂłpicos oriundos de uma ĂĄrea conhecida como UX Research.
Um UX Researcher se preocupa, dentre outras coisas, em compreender as motivaçÔes, as dores, os hĂĄbitos e os interesses de comunidades ou de indivĂduos. Para fazer isso, temos um arcabouço robusto de tĂ©cnicas e conhecimentos teĂłricos que nos auxiliam. Mas caso vocĂȘ esteja apenas começando nesse caminho de compreender seu pĂșblico-alvo gamer, deixo aqui 5 tĂłpicos para vocĂȘ refletir.
1.       Por que VOCĂ joga?
Antes de se aventurar a entender o motivo pelo qual outras pessoas jogam, use uma carta reverse e entenda as razĂ”es pelas quais vocĂȘ mesmo joga: Ă para passar o tempo? Ă para se distrair? Relaxar? Ter um sentimento de conquista pessoal? Socializar? Um pouco de tudo isso? Desde quando vocĂȘ joga? Como começou a jogar? O que significa ser um gamer para vocĂȘ?
Faça essa reflexĂŁo com outras perguntas que possam ser pertinentes e sĂł entĂŁo passe para o prĂłximo tĂłpico. VocĂȘ precisarĂĄ estar acostumado com a curiosidade pessoal de saber MOTIVOS.
2.       QUEM eu quero alcançar com meu jogo?
Qual o nicho gamer que vocĂȘ quer atingir? Essa Ă© uma pergunta que vocĂȘ deveria ter feito antes mesmo de começar a desenvolver seu jogo. Volte quatro casas.
VocĂȘ estĂĄ criando um jogo puzzle? Um roguelike? Um FPS? Agora lembre das perguntas que fez a si mesmo no passo anterior, mas tente se colocar no lugar de um jogador do gĂȘnero que irĂĄ desenvolver.
Quando um jogador de FPS joga? Com quem? Ele gosta de socializar? Que tipo de recompensas ele espera ganhar ao jogar?
Talvez vocĂȘ queira alcançar algum pĂșblico especĂfico como a comunidade queer ou jogadores de cozy games. Tente pensar na maior quantidade de perguntas que poderia fazer sobre essa determinada comunidade e os motivos pelos quais jogam. Anote as perguntas em um bloco de nota ou em qualquer outro local que deseje.
3.       COMO vocĂȘ pode obter as respostas?
Com as perguntas em mĂŁos, agora pense: como vocĂȘ acha que poderia conseguir respondĂȘ-las? Em UX Research, nĂłs possuĂmos inĂșmeras ferramentas e procedimentos que nos auxiliam a responder perguntas complexas.
VocĂȘ pode, por exemplo, realizar entrevistas estruturadas com pessoas da comunidade que quer atingir. Caso nĂŁo queira passar pela complexidade de ter que conversar diretamente com essas pessoas, vocĂȘ pode elaborar um questionĂĄrio e enviar para certos grupos. VocĂȘ pode ir atĂ© os locais que essas pessoas frequentam e as observar, fazendo anotaçÔes. O cĂ©u Ă© o limite, use sua criatividade!
4.       ANALISE as informaçÔes que vocĂȘ conseguiu
Depois de ter obtido as respostas que gostaria, primeiramente pense se a quantidade de pessoas que respondeu Ă s suas questĂ”es Ă© o bastante para realmente sanar as dĂșvidas. Em alguns mĂ©todos de UX Research, perguntas sĂŁo feitas a centenas ou milhares de pessoas e, em outros, a apenas duas ou trĂȘs pessoas. Tudo depende de como vocĂȘ formula suas questĂ”es e quĂŁo sĂ©rias e decisivas sĂŁo as respostas para o seu desenvolvimento. Lembre-se: em game design, o escopo tambĂ©m se aplica a este processo de investigação.
Analise atentamente todos os dados que vocĂȘ conseguiu. VocĂȘ fez entrevistas e gravou o ĂĄudio? VocĂȘ enviou formulĂĄrios? Caso seja necessĂĄrio, faça grĂĄficos ou tabelas.  Com os dados em mĂŁos, pense e repense em como vocĂȘ pode criar mecĂąnicas, narrativas, sons, ilustraçÔes e tantos outros elementos do desenvolvimento de games que reflitam a personalidade, as dores e as necessidades do seu pĂșblico-alvo.
5.       Estude, estude e estude!
Se vocĂȘ gostou desse exercĂcio e quer se aprofundar na arte do Games User Research nĂŁo espera mais, jovem gafanhoto! Atire-se imediatamente em leituras e vĂdeos informativos. Procure pessoas da ĂĄrea para conversar e construa uma rede de contatos. Deixo aqui a sugestĂŁo de trĂȘs livros para vocĂȘ começar, mas dois deles podem ser um pouco densos:
Manual do Game UX: Um guia para designers e curiosos (Rafael Lima)
Games User Research (Anders Drachen, Pejman Mirza-Babaei, Lennart Nacke)
The Psychology of Video Games (Celia Hodent)







